Vírus Shamonda: Uma Nova Ameaça à Saúde Animal na União Europeia

O vírus Shamonda (SHAV) está a surgir pela primeira vez no continente europeu, com casos confirmados em vários Estados-Membros da União Europeia. Em Espanha, a proximidade geográfica alerta o setor nacional, tendo sido já detetadas infeções em explorações bovinas nas províncias de Córdoba e Toledo.
Diante desta nova ameaça epidemiológica, a B&S Consultadoria Agrícola sistematiza as principais informações técnicas e recomendações para os produtores e gestores pecuários.
Como se transmite o Vírus Shamonda?
- Vetor principal: A transmissão ocorre maioritariamente através da picada de mosquitos do género Culicoides (pequenos insetos hematófagos que atuam como vetores biológicos).
- Contágio direto: Não existem evidências de transmissão direta significativa entre animais no maneio diário.
- Transmissão vertical: O vírus pode ser transmitido da fêmea para o feto por via placentária durante o período de gestação.
Sintomatologia e Impacto na Produção Bovina
A infeção por Shamonda pode apresentar uma elevada taxa de morbilidade num efetivo. Os principais sinais clínicos observados em bovinos incluem:
- Quadro sintomático geral: Episódios de febre e diarreia.
- Perda de produtividade: Quebra na produção leiteira entre 10% e 20%, com uma duração média de 7 a 10 dias.
- Impacto reprodutivo: Em fêmeas gestantes, a infeção transplacentária pode provocar abortos ou o nascimento de crias com malformações congénitas graves.
Disseminação da Variante Shamonda-Europe
Identificada pela primeira vez na Europa Central no verão de 2026, a variante designada por Shamonda-Europe já foi confirmada nos seguintes países:
- Suíça
- Alemanha
- França
- Áustria
- Bélgica
- Países Baixos
- Liechtenstein
- Itália
- Espanha
Recomendações para os Produtores Pecuários
A vigilância ativa nas explorações é fundamental para conter a progressão do vírus. A AgroBS Consulting recomenda:
- Monitorização contínua: Aumento da vigilância sobre o aparecimento pontual de sintomas febris, alterações gastrointestinais ou quebras injustificadas na produção de leite.
- Notificação obrigatória: Em caso de suspeita clínica ou anomalias reprodutivas na exploração, contacte de imediato os Serviços Veterinários Oficiais (DGAV) ou o seu médico-veterinário assistente.
- Maneio e biossegurança: Avaliar e reforçar medidas de controlo de vetores (Culicoides) nas instalações e zonas de pastoreio.
Fonte: Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) – Nota Informativa n.º 1/2026/Vírus Shamonda, 23 de setembro de 2026.